A experiência da biometria em Curitiba: 14 mil atendimentos em um único dia

Primeira biometria em uma capital brasileira aconteceu em 2011

Fotografia de uma calçada cheia de pessoas. À esquerda, na rua, vê-se a traseira de um ônibus ci...

Curitiba, 20 de janeiro de 2012. Uma multidão contorna as calçadas nas adjacências do Fórum Eleitoral, no bairro Prado Velho. São milhares de pessoas enfileiradas em quilômetros de asfalto. Ambulantes vendem bebidas para aplicar o calor, churros e cachorro-quente para a matar a fome e chips de celular para quem precisa avisar em casa ou no trabalho que vai se atrasar. Havia até quem vendesse lugar na fila e um sujeito que distribuía panfletos de funerária.

Ninguém estava na fila para ver um ídolo se apresentar ou se candidatar ao emprego dos sonhos. As pessoas aguardavam a sua vez de realizar a revisão biométrica obrigatória. Foram dez meses de mutirão em Curitiba, com uma média diária de 5 mil atendimentos. O novo título era impresso rapidinho e o serviço disponibilizado das 8h às 18h30, todos os dias da semana, incluindo sábados, domingos e feriados.

Muita gente, no entanto, acabou deixando para a última hora. No último dia, a Central de Atendimento ao Eleitor registrou as dez digitais de cerca de 14 mil pessoas. Havia 230 guichês em atividade simultaneamente, operados por servidores e contratados.

Curitiba, que então contava com um milhão e trezentos mil eleitores, foi a primeira cidade do Paraná a passar pelo cadastro biométrico depois da experiência piloto em Balsa Nova, em 2009, que tinha apenas 9 mil eleitores à época. As dificuldades que se apresentaram na capital, seja de estrutura física ou de pessoal, foram solucionadas rapidamente, servindo de base para as estratégias de ação empregadas nos demais municípios do Estado.

“Na gestão do desembargador Irajá Romeo Prestes Mattar, na presidência, e do doutor Ivan Gradowski, na direção-geral, tivemos a coragem de, atendendo a um chamado do ministro do TSE Ricardo Lewandowski, fazer a biometria dos 1,3 mi de eleitores de Curitiba, a primeira realizada em uma capital brasileira”, lembra o diretor-geral do TRE-PR, doutor Valcir Mombach.

Missão cumprida

Os servidores não tiveram férias nem descanso. Terceirizados, requisitados e estagiários vestiram a camisa da biometria. Enquanto isso, juízes davam plantões e autoridades e gestores mobilizavam a sociedade curitibana para firmar convênios e viabilizar a ação. Deu certo. Um dia antes do fim do prazo previsto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o TRE-PR atingiu 80% do eleitorado revisado, marca que permitiu a realização das eleições seguintes dentro do sistema biométrico na capital.

O momento exato do alcance da meta foi marcado no relógio – 10h30 de 19 de janeiro de 2012 – e comemorado pelos servidores e colaboradores com muito barulho de apitos, panelas e aplausos, além da sensação de dever cumprido. A descontração, no entanto, durou pouco: logo em seguida a incansável equipe da Central de Atendimento de Curitiba retornou ao trabalho, já que o prazo para os eleitores terminaria apenas no dia seguinte – e milhares de pessoas, como vimos, ainda estavam para chegar.

No final, porém, todo o estresse enfrentado, o trabalho hercúleo e a superação transformaram-se na experiência profissional mais desafiadora da carreira de todos. Curitiba abria caminho para a biometria em todo o Paraná.

 

Texto: Melissa Diniz Medroni
Fotos: Arquivo SPA
Coordenação: Rubiane Barros Barbosa Kreuz
CCS/TRE-PR

 

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