Homenagem ao Desembargador José Pacheco Junior
Como sempre ressaltamos, no Paraná — esse rio de nome grande, “rio que parece mar” — a memória também corre como correnteza: ora límpida, ora turva, por vezes escondida entre as pedras do tempo. Às margens do Rio Tibagi e do Rio Negro, cidades nasceram, juízes serviram, e histórias fluíram. Entre essas águas, brota uma lembrança esquecida: o Desembargador José Pacheco Júnior, que presidiu o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná em 1966, mas cujo nome desapareceu dos registros oficiais de presidentes da Corte.
Nascido em Curitiba em 1908, José Pacheco Júnior iniciou sua trajetória jurídica ainda como acadêmico, em 1932. Atuou como juiz nas comarcas de Siqueira Campos, Morretes, Tibagi e Rio Negro — (as duas últimas cidades banhadas pelos rios que lhe dão nome). Em 1953, foi promovido para Curitiba, e em 1961, nomeado Desembargador do Tribunal de Justiça.
Ingressou no TRE-PR como membro substituto em 1965, assumindo em seguida a função de Corregedor e, por fim, a Presidência da Corte Eleitoral em 1966.
Durante sua gestão, presidiu sessões de destaque como a posse dos novos membros do Tribunal, e esteve à frente de importantes julgamentos, como os processos referentes às composições partidárias das eleições municipais e ao registro de candidatos, sempre com firmeza e serenidade. Seu estilo era descrito pelos pares como digno, sábio e sereno.
Em novembro de 1966, durante sessão solene, despediu-se da presidência do TRE-PR, passando o cargo ao Desembargador Jairo Campos. A homenagem registrada em ata reconhece a “maneira altamente dignificante com que presidiu os destinos da Justiça Eleitoral do Paraná”.
Infelizmente, sua carreira sofreu um fim abrupto. Foi aposentado compulsoriamente em 1973, em decorrência do Ato Institucional nº 5, instrumento de repressão do regime militar. Faleceu em 1975.
Hoje, entre rios, memórias e papéis encontrados, o nome de José Pacheco Júnior ressurge como o Presidente perdido do TRE-PR — e finalmente, reencontrado.


