Visibilidade Trans 2026 discute o impacto do padrão cisgênero nas instituições públicas

Entre os temas abordados, os conceitos de “transfeminismo jurídico” e a interseccionalidade na área da saúde

Fotografia de um auditório onde ocorre uma palestra ou debate. Em primeiro plano, vê-se a platei...

Nesta sexta-feira (30), o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) promoveu, por intermédio do seu Núcleo de Diversidade e Inclusão (NDI) e da Articulação Nacional de Trabalhadoras e Trabalhadores Trans e Travestis do Sistema de Justiça (ANTRAJUS), o evento “Visibilidade Trans 2026”, que discutiu a interseccionalidade e o padrão cisgênero nas áreas do direito e da saúde do Brasil. 

O vice-presidente do TRE-PR, desembargador Luiz Osório Moraes Panza, representou o presidente Sigurd Roberto Bengtsson no evento. Ele enfatizou que o papel da instituição vai além do pleito: “Esse é um evento de reflexão; é preciso transformar ideias e conceitos para mostrar à população que a Justiça Eleitoral do Paraná deve estar presente em pautas que proporcionem inclusão”.

A presidente do NDI do TRE-PR e ouvidora-geral do Supremo Tribunal Federal (STF), a magistrada Flavia da Costa Viana, destacou a importância de lutar por uma sociedade mais inclusiva e igualitária, independente de raça, gênero ou religião. Relembrando o lançamento do projeto "Mulheres na Política" em 2019, exaltou a necessidade de uma visão empática: "Nunca vamos conseguir nos colocar no lugar do outro sem entender as dores de quem sofre discriminação”. Ela também ressaltou a excelência do NDI na promoção dos direitos de grupos minorizados.

A palestrante Clarisse Mack, formada em Direito pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), salientou o significado do termo "transfeminismo jurídico", que analisa o gênero não apenas como uma identidade pessoal, mas como um sistema de poder, hierarquia e dominação social. Ao abordar a distinção entre mulheres trans e travestis, Clarisse frisou como a estrutura social molda percepções individuais. "Pensar na figura da travesti, a partir desse lugar histórico, ainda é evocar uma imagem de violência e marginalização, decorrente da ausência de necessidades básicas para a construção de uma vida digna", explicou.

O palestrante Theo Brandon, graduando em Medicina pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), iniciou sua fala pontuando a influência da cisgeneridade nas vivências das pessoas trans em diversos momentos e aspectos da vida. O graduando falou sobre conquistas e números positivos dos últimos anos, como o crescimento de 373,83% no uso do nome social no Título de Eleitor entre 2018 e 2022. “Vocês podem achar que são coisas pequenas, mas para uma comunidade em que a gente vive o tempo todo com a cisgeneridade rotulando o que é de mulher e o que é de homem, isso é um grande avanço”, afirma.

Dia Nacional da Visibilidade Trans 

Comemorado nesta quinta-feira (29), o Dia Nacional da Visibilidade Trans foi criado pelo Ministério da Saúde no ano de 2004, com o objetivo de conscientizar e lutar pelos direitos de travestis e transgêneros. Na ocasião, ativistas apresentaram a campanha “Travesti e Respeito” no Congresso Federal, sendo uma ação fundamental para a data passar a existir.

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